
Kazim precisou se mudar para a Turquia para ser notado em sua terra natal, a Inglaterra. Depois de marcar o gol de empate na virada do Fenerbahçe sobre o Chelsea, semana passada, na capital turca Istambul, pelo jogo de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões, sua presença foi suficiente para lotar a sala de imprensa do estádio Stamford Bridge nesta segunda-feira.
Antes do treino no local da partida de volta desta terça contra o time inglês, em Londres, a imprensa da Inglaterra perguntou de tudo para ele, inclusive como ele gostaria de ser chamado.
Na verdade, Kazim já havia sido notado antes, por razões não somente relacionadas
a seu futebol. Em 2005, uma promoção de uma empresa de bebidas ofereceu 250.000
libras (cerca de R$ 900.000) a qualquer cidadão comum para comprar um jogador para seu time. O vencedor, um torcedor do Brighton & Hove Albion, da Terceira Divisão do Campeonato Inglês, escolheu trazer Kazim, vindo do Bury, da Quarta Divisão. De lá, ele se transferiu para o Sheffield United, da Segunda Divisão, antes de ser comprado pelo Fenerbahçe ano passado por 1,25 milhão de libras (mais de R$ 4 milhões).

Kazim comemora com Alex o primeiro gol do 2 a 1 sobre o ChelseaNo seu nome origial, Colin Kazim-Richards, registrado em seu nascimento em Londres, o Kazim foi uma forma de manter as origens turco-cipriotas da família da mãe. Ao chegar à Turquia para jogar no Fenerbahçe, foi convidado a se naturalizar turco, o que lhe daria mais chances na equipe (já que não precisaria se enquadrar no limite de estrangeiros por time (a Turquia não faz parte da União Européia) e a possibilidade de disputar competições internacionais pela seleção turca. Para isso, precisou cumprir a lei do país, que determina que estrangeiros precisam adotar um primeiro nome turco para se naturalizar e passou a ser chamado Kazim Kazim.
- Entendo que, para me naturalizar, precisei mudar meu nome, mas Colin Kazim-Richards é como está na minha certidão de nascimento e é assim que gostaria de ser conhecido - explicou o meia de 21 anos.
A resposta da imprensa turca foi imediata. Um jornalista perguntou se isso queria dizer que ele não gostava do nome Kazim Kazim. O jogador tentou se explicar, dizendo que não interessa o nome, e sim o que ele faz pelo Fenerbahçe, mas precisou da ajuda do intérprete (ele respondia às perguntas em inglês) para interromper a pressão da mídia do país que ele escolheu defender.
Quando o assunto foi a partida desta terça, Kazim admitiu que enfrentar o Chelsea, sendo um torcedor do Arsenal, confere um sabor especial ao confronto para ele. Mas garantiu não ter preferência de adversário caso o time avance às semifinais, em que pode enfrentar o próprio Arsenal ou outro time inglês - o Liverpool. Com toda sua família vivendo no Reino Unido, certo mesmo só que ele provavelmente terá que gastar de novo em ingressos as 2.000 libras (cerca de R$ 7.000) que desembolsou para que os parentes pudessem vê-lo jogar em Stamford Bridge.

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